A 13ª Bienal do Mercosul está com chamada aberta para o envio de propostas de projetos na área de artes visuais. Pela primeira vez, podem participar artistas visuais, coletivos e agentes criativos do mundo inteiro.
A mostra internacional de arte contemporânea Bienal do Mercosul é situada em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Brasil, desde o ano de 1997.

A Bienal é amparada pela Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul, que tem como missão planejar e promover projetos de artes visuais contemplando a cultura e a educação na área. O foco em melhores práticas é ligado a sua visão de instaurar o diálogo entre a arte visual contemporânea e a sociedade.

13ª Bienal do Mercosul: Arte, tecnologia e mídias digitais
O objetivo deste projeto é estimular a produção e a difusão das artes visuais vinculadas às novas tecnologias, assim como a reinvenção das técnicas tradicionais, consolidando suas entidades promotoras como agentes de formação, experimentação e inovação na arte contemporânea.

TRANSE busca fomentar as intersecções entre projetos de arte contemporânea e diversas interfaces, por meio de laboratórios parceiros, em novas tecnologias de comunicação, mídias digitais, pesquisa de materiais e técnicas, modelagem, programação, prototipagem, síntese de novos compostos orgânicos e sintéticos, etc., assim como a revisão de saberes tradicionais, tais como vidraria, marcenaria, culinária, tecelagem, dentre outros.

Com grande capilaridade transdisciplinar, o projeto visa criar conexões entre a arte e diferentes áreas do conhecimento, estimular a criação e possibilitar o acesso do público a obras inéditas, valorizando a consistência, a relevância e a originalidade das pesquisas e das propostas artísticas, e a diversidade de pensamento.
Das inscrições para a Bienal de Artes do Mercosul
As inscrições estão abertas do dia 22 de abril e irão até 20 de julho de 2021.
Para participar, os interessados deverão submeter a inscrição exclusivamente por meio eletrônico, pelo site da Fundação Bienal de Artes Visuais, cumprindo o prazo estabelecido no item anterior, e seguir as seguintes premissas:
- Concordar com o presente edital da chamada aberta
- Preencher o formulário com ficha de inscrição, juntamente com os demais arquivos necessários
- A inscrição deverá ser feita em duas etapas: apresentação da proposta (detalhada no item que deverá ser anônima (nada no texto ou imagens deve permitir identificar seu proponente); e apresentação de portfólio, que deverá ser identificado.
- Apresentação da proposta de obra artística inédita (anônima) com tema livre. O participante deverá criar um projeto tendo como base o uso de novas tecnologias e linguagens, tais como robótica, mapeamento, impressão 3D, materiais híbridos entre orgânicos e sintéticos, software, interatividade, motricidade sensorial, Realidade Aumentada e Realidade Virtual, Inteligência artificial, entre outras.
Para a íntegra da apresentação da proposta leia do documento.

Do desenvolvimento das propostas artísticas
A experiência Transe vai ocorrer em dois momentos, com o acompanhamento do curador Marcello Dantas e dos curadores adjuntos Laura Cattani e Munir Klamt: desenvolvimento do projeto, de outubro 2021 a fevereiro 2022, e execução das propostas artísticas selecionadas, de março a agosto de 2022.
- Será oferecido aos Participantes acompanhamento técnico e conceitual dos projetos. A produção das propostas artísticas será coordenada pela produção da Bienal, e facilitada por entidades parceiras que irão fornecer, conforme sua disponibilidade, laboratórios, materiais, equipamentos e os respectivos técnicos.
- O cronograma de montagem da obra no espaço expositivo será acordado entre os artistas, curadoria e a produção do projeto em momento oportuno. A montagem poderá, se necessário, ser acompanhada pelo artista, sob supervisão e colaboração da produção da mostra.

Instituto Caldeira
Alexandre Raupp / Divulgação
- As obras desenvolvidas ao longo da experiência TRANSE serão apresentadas no Instituto Caldeira como parte da 13ª Bienal do Mercosul.
Bate-papo sobre a 13ª Bienal do Mercosul com Carmen Ferrão e Marcello Dantas
Carmen Ferrão e Marcello Dantas batem um papo sobre os os temas (trauma, sonho e fuga), além dos espaços para as exposições e sobre a Open Call.
Carmen é a Presidente da 13ª Bienal do Mercosul e uma de suas atribuições é a de buscar junto à curadoria a questão temática para as exposições.
Quando fui convidada para assumir à Presidência, pelo Gilberto Soares, já imaginava um mundo da arte em transformação. Antes mesmo da pandemia, algo me dizia que nós precisávamos muito dessa transformação. Essa arte em transformação com o uso da tecnologia. Então, pensei em quem poderia colocar em prática a ideia, transmitir esse sentimento, colocar nessa bienal isso tudo, e, então, chegamos ao Marcello Dantas.

Carmen Ferrão
Aceito o convite, Marcello Dantas inicia o processo temático, que irá padronizar em termos conceituais a Bienal de Artes Visuais do Mercosul, e dar suporte para as criações artísticas. Dantas apresenta a proposta dos três temas que são comtemplados na Bienal, a seguir o eixo narrativo: trauma, sonho e fuga.
O Trauma, segundo Dantas, é algo que ameaça sua existência, se constitui na tensão psicológica, é alfo maior do que você e pode causar a sensação de que sua existência pode terminar e, nesse momento, todos nós, público, criadores, artistas, curadores, gestores e empresários estamos vivendo um trauma coletivo.

Para compor a narrativa do que Dantas denomina de triângulo entre o trauma e a fuga, emerge a questão da concepção do sonho.
O sonho emerge do território do imaginário, desse surrealismo, da capacidade de enxergar coisas que são de ordem do subconsciente e que estão agindo em todas as pessoas: artistas, público todo o complexo de profissionais da arte e empresas que participam da Bienal.
O terceiro pilar da narrativa que aponta o conceito da Bienal de Artes do Mercosul, segundo o curador Marcello Dantas é a fuga.
A ideia da fuga é algo simbólico, eu adoro pensar em fuga como o fator racional dos três eixos da narrativa, pois não está focada no subconsciente, ela aponta para uma solução de como todos nós conseguiremos um caminho para sair do desequilíbrio provocado pelo trauma. Ou seja, a pergunta que eu quero provocar com a fuga é “como é que a gente sai dessa?”. Como é que a gente viabiliza, como é que a gente arquiteta essa nova estratégia? A Arte é, às vezes, muito inspiradora nesse motivo, ela nos dá instrumentos para poder pensar diferente, e isso é muito rico.

Marcello Dantas / Divulgação
Contemplando as eixos das narrativas, em um embasamento de planos particulares de cada um (trauma, sonho e fuga), Dantas completa o seu raciocínio.
Esses três temas nos oferecem uma possibilidade de falar sobre o mundo que estamos vivendo, o mundo que está profundamente em transformação, o mundo que ninguém tem a fórmula, e que eclode nessa bienal de artes visuais em plena pandemia, então, ela vai falar da arte que foi feita a partir desse ponto.
Resumo das ações para a Bienal de Artes Visuais do Mercosul

Mais sobre as Bienais de Artes do Mercosul
Veja os cartazes das Bienais do Mercosul.
O que: 13ª Bienal do Mercosul
Presidente: Carmen Ferrão
Curador: Marcello Dantas -fundador da produtora Magnetoscope, realizou a curadoria da exposição Raiz, de Ai Wei Wei, artista visual chinês, dirigiu a Japan House em São Paulo, além de fazer a curadoria da Bienal de Vancouver em duas ocasiões.
Quando: setembro a novembro de 2022
Inscrições: somente pelo site da Fundação Bienal do Mercosul entre 22/04 a 20/07/2021
Quer mais arte? Que tal dar um tour na galeria de arte Lília Manfroi para ver as suas obras em gravura em metal? Estaremos lhe esperando por lá, também. Boa arte, boa vida!
– Vida digital – Equipe Editorial de Conteúdo e Estado da Arte –






