Morre Botero, o artista visual genial do volume nos corpos

Fernando Botero faleceu nesta sexta-feira, aos 91 anos. O renomado artista colombiano, conhecido por sua arte rechonchuda, esculturas monumentais e bom-humor surrealista, nos deixou em sua residência no principado de Mônaco.

Mona Lisa de Botero

Autodidata, Botero deu início à sua carreira como ilustrador para o jornal “El Colombiano” no final dos anos 1940. Enquanto lá trabalhava, foi profundamente influenciado pela obra do italiano Piero della Francesca (1415-1492). Foi a partir do estudo desse mestre que Botero desenvolveu seu estilo distintivo, quando tinha apenas 25 anos.

Reconhecido como um dos maiores artistas até então vivos, Botero ganhou fama e apreço nas últimas décadas graças às suas pinturas e às enormes esculturas de bronze que foram exibidas em todo o mundo a partir dos anos 90.

Em relação ao seu estilo artístico, Botero esclareceu

“Não pintei uma única pessoa gorda em toda a minha vida. Eu expressei o volume, busquei dar destaque ao volume, torná-lo mais plástico, mais plástico, mais monumental, quase uma comida, por assim dizer, arte comestível. A arte deve ser sensual, digo nesse sentido”

Botero no Brasil: Dores da Colômbia

No ano de 2011, durante sua exposição solo em São Paulo intitulada “Dores da Colômbia”, o artista apresentou um conjunto de 67 obras que destoavam consideravelmente de seu estilo usualmente jovial e sereno.

Nesse impressionante conjunto de peças, que englobava pinturas, desenhos e aquarelas, Botero lançou um olhar crítico sobre a terrível violência que assolava seu país. As figuras rechonchudas que caracterizavam suas obras anteriores agora retratavam a dor e o sofrimento que permeavam a Colômbia naquela época.

Essa violência, alimentada pelo narcotráfico e desencadeada por conflitos entre guerrilheiros, militares e políticos, foi, por um período, o tema central de sua obra.

Paixão, poesia e amor, na despedida de Botero

Antioquia presta homenagem pela última vez a Fernando Botero em Medellín. Os atos de despedida do artista começaram às 8h30 da manhã nas proximidades do Museu de Antioquia.

Dançarinas no Bar (2001)

Botero gordinhas dançarinas no bar

A pintura intitulada “Dançarinas no Bar” joga com a surpresa ao desafiar as expectativas do espectador, já que este não espera encontrar uma bailarina com uma forma mais rechonchuda.

Exposição de Botero aos seus 75 anos

Exposição Botero

Exposição de obras de Fernando Botero, em Medellin, na Colômbia, em 2007, em celebração aos seus 75 anos — Foto: Luis Benavides/AP

Documentário

Documentário completo sobre o artista colombiano mais internacional de todos os tempos. O documentário trata do contexto histórico da Colômbia e sobre a conquista; sobre arqueologia e arte pré-colombiana; sobre a arte regional colombiana de artistas como Noé León ou Teresa Reyes. Mas, especificamente, em profundidade, apresenta a obra pictórica de Botero.

Em 7 de maio de 1994, um casal contempla as esculturas temporárias de Fernando Botero que foram instaladas brevemente no Paseo de Recoletos, em Madrid.

Botero esculturas

No ano de 1978, Fernando Botero casou-se com a artista grega Sophia Vari, que faleceu maio de 202. Na imagem, podemos ver o casal em sua residência compartilhada em Paris, no ano de 2003.

Botero casamento Sophia Vari
Boatero em seu ateliê

Na foto, Botero entre alguns de seus trabalhos, em seu ateliê em Paris, em 1982.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, compartilhou a notícia de sua morte nas redes sociais, acompanhada das seguintes palavras: “Morreu Fernando Botero, o pintor de nossas tradições e defeitos, o pintor de nossas virtudes. O pintor da nossa violência e paz“.


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Vida digital –Equipe Editorial de Conteúdo

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